Uma análise do estudo da História a partir da história da imprensa
SOCIAL
07 de Março de 2019

Resumo: Este artigo é produzido para pensar a relação da escrita da História com a imprensa como fonte, de forma que possamos problematizar a forma como é pensada a imprensa como fonte de pesquisa, e da mesma forma, pensar um pouco da trajetória da imprensa no Brasil.

 

A partir da leitura da obra Extra: Imprensa e Cidade de Tânia Regina de Luca e Ana Luiza Martins (LUCA, MARTINS, 2006), faremos uma breve analise da história da imprensa no Brasil, para que possamos assim, discorrer sobre como podemos pensa-la como fonte. 

Por características coloniais, um controle da Igreja Católica, e uma grande falta de mercado e leitores, a imprensa começou tardiamente no Brasil, o primeiro jornal em São Paulo intitulado O Paulista foi publicado em 1823 e manuscrito, escrito pelo professor Antônio Mariano de Azevedo Marques, conhecido como O Mestrinho. Antes da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, as notícias se davam de forma oral, as oficiais eram lidas em praça pública, e pregadas na porta da principal autoridade local. (LUCA, MARTINS, 2006)

Fugida das conquistas ou invasões napoleônicas, a Corte Portuguesa trouxe consigo o que havia de moderno no mundo europeu para sua nova “Metrópole”, inclusive a imprensa que já não era uma novidade na Europa, a prensa criada por Gutenberg no século XV, demorou três séculos para ser pensada no Brasil.

Com a abertura dos portos para nações amigas, fruto do tratado de Portugal com a Inglaterra, o Brasil inseria-se no mundo do mercado, e da mesma forma, fora necessário o nascimento da imprensa. Criado oficialmente por Don João em 13 de maio de 1808 a Imprensa Régia, e em setembro sairia a Gazeta do Rio de Janeiro. (LUCA, MARTINS, 2006)

Neste Primeiro momento a imprensa brasileira ficaria totalmente ligada ao estado, pouco se sabia fazer, e as características coloniais não permitiam uma liberdade de expressão, até 1821, o único impresso com características de jornal era a Gazeta do Rio de Janeiro, outros existiam, porém mais próximos de revistas periódicas do que jornais. Escrito em Londres, o Correio Brasiliense produzido pelo brasileiro exilado Hipólito José da Costa, colocou a colônia em contato com o resto do mundo, este seria o primeiro veículo de informação livre de censura. (SODRÉ, 1999)

De todo modo, segundo Nelson Werneck Sondré em uma de suas principais obras, o livro intitulado História da imprensa no Brasil, o que se tinha até o processo de independência era uma imprensa servil ao estado imperial e às elites locais. No momento em que parte da Corte portuguesa retorna à Metrópole, existe o medo do retorno aos moldes coloniais, aos quais maior parte das elites brasileiras não se submeteriam mais uma vez, com opiniões diversas, entre se tonar independente da metrópole ou tornar-se nações irmãs, mas concordando com o modelo monárquico que os favorecia. (SODRÉ, 1999)

[...]surge agora aquela ameaça de regresso a uma situação que não poderia ser suportada pela classe dominante brasileira: a conquista anterior, que parecia simples dádiva, fica em perigo, e o perigo une. Para unir, é preciso mobilizar. Para mobilizar. É preciso despertar a opinião. Para despertar opinião, é preciso imprensa. Ela tem então sua primeira fase autêntica, entre nós[...] (SODRÉ, 1999,p 45)

O processo de independência proporciona um cenário de “liberdade” de imprensa, entretanto, se instaura um regime imperial católico, que não representa muita liberdade para jornais, dentro de uma sociedade de maioria analfabetos, agrária, escravistas e com poucos centros urbanos, o que representava um pouquíssimo espaço para a força política que a imprensa iria representar posteriormente.

Segundo (LUCA, MARTINS, 2006), a imprensa se tornaria de veras um “instrumento decisivo para o exercício da política” (LUCA, MARTINS, 2006, p 25) com a formação da tradicional Academia de Direito do Largo de são Francisco em São Paulo no ano de 1827, modificando um pouco o formato de quem produzia imprensa no país, que geralmente eram representantes do clero ou egressos da universidade de Coimbra. É neste cenário que nasce a imprensa liberal, republicana e abolicionista, e em 1870 o Partido Republicano, nomes como Quintinho Bocaiúva, Saldanha Marinho e Salvador de Mendonça se ligariam à história da imprensa no Brasil e da República. (LUCA, MARTINS, 2006),

Sem casas editoriais cabia aos jornais “abrasarem” tudo que poderia ser colocado no papel, desde literatos até os primeiros cartunistas brasileiros, formato que fez muito sucesso em um país com tantos analfabetos. Com esta responsabilidade editorial, a imprensa do final do império foi ferramenta importante de combate ao regime, ainda que alguns jornais se mantivessem monarquistas, mais tarde se tornariam republicanos, antes disso sofreriam censura de um regime dito “republicano liberal e laico”.

É também este o primeiro momento em que a imprensa inicia um formato propagandista, possibilitando assim, uma maior autonomia, e futuramente uma profissionalização da mesma.

Longe de se consolidar como uma “grande Imprensa”, nos primeiros atos da República, a imprensa brasileira já sofre censura, no decreto nº 82 conhecido como, Decreto Rolha, de 23 de dezembro de 1889, assinado pelo então governante do governo provisório Marechal Deodoro da Fonseca, e todo seu ministério, incluindo jornalistas de profissão, como Quintinho Bocaiúva e Aristides Lobo, republicanos liberais que foram militantes destas causas justamente pelo veículo da imprensa. Como já dito antes jornais monarquistas sofreram as represálias, porém, não somente estes tiveram consequências da censura, republicanos que questionavam tal atitude da República também, resultando em inúmeras prisões no Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, (LUCA, MARTINS, 2006, p 36). O decreto foi revogado, mais a repressão ainda manteve-se, resultando até na morte do revisor João Ferreira Romariz.

Foi também neste primeiro momento da República, que mais se foi comprado a opinião dos jornais por parte do governo. Novos meios de comunicação como o telegrafo, aproximaram o mundo “civilizado europeu” ao Brasil, a imprensa passava a vender mais publicidade, movimentava o mercado que “fervia” por conta da produção de café, e a imprensa também se tornara um mercado lucrativo. Programas de alfabetização, melhoramento e remodelação das cidades, reflexos de um Brasil que recém havia soltado os “grilhões” do sistema escravista, e se tornado república, planejava-se modernizar, tornar-se “civilizado”, e os jornais estavam incluídos neste projeto.

Até a primeira metade do século XX não havia uma oficialização da função jornalista, a organização sindical foi feita pelo jornalista Gustavo Lacerda, socialista, criou a (ABI) Associação Brasileira de Imprensa em 7 de abriu de 1908, que teria sua sede própria somente e 1932, e a regulamentação da profissão de jornalista só seria assinada em 1937 por Getúlio Vargas. Antes disso é comum a profissão de jornalista ser exercida por literatos, como Joaquim Nabuco, correspondente na Inglaterra, e Euclides da Cunha que foi repórter correspondente na revolta de Canudos em 1897 pelo jornal  Estado de S. Paulo, tais reportagens que proporcionaram que Cunha escrevesse a obra Os Sertões publicado em 1902, uma de suas principais obras, quiçá o livro mais importante de sua carreira. (LUCA, MARTINS, 2006)

Por mais que não houvesse uma imprensa regulamentada, no final do século XIX já se permitia jornais mais estruturados, com repórteres e jornalistas correspondentes, as novas tecnologias gráficas permitiram avanço na propaganda em jornais e revistas, inclusive capas ilustradas, com novas letras, imagens e cores que seduziam os leitores. Mesmo que em 1890 80% da população ainda não soubesse ler. (LUCA, MARTINS, 2006)  

Na primeira metade do século XX o Brasil começava a se sentir parte do mundo moderno, o crescimento urbano e comercial, o bonde, automóvel, eletricidade, gramofone, cinema, e o rádio já faziam parte do cotidiano das principais cidades. O rádio principalmente se destacava, era uma maneira muito mais fácil de se propagar a notícia e a propaganda, entretanto, a imprensa não havia perdido seu caráter político.

No começo da década de 30, o candidato derrotado da Aliança liberal, Getúlio Vargas, toma o poder com um movimento armado, depondo o presidente eleito Washington Luiz, o novo governo demonstrou todas as suas características centralizadoras, dissolveu o congresso nacional bem como os legislativos estaduais e municipais, os governadores eram substituídos por interventores, a imprensa logo sentiu os problemas da censura e opressão, vários jornais foram fechados.

Assim que a vitória dos revoltosos foi confirmada, vários periódicos identificados com a chamada República Velha foram alvo de ataques e acabaram sendo empastelados, como ocorreu, por exemplo, com O Malho (1902), O País, A Notícia (1894), Gazeta de Notícias, A Noite (1911) e o Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, e o Correio Paulistano, Folha da Manhã, Folha da Noite, A Gazeta (1906) e Fanfulla, em São Paulo. (LUCA, MARTINS, 2006, p 54)    

Até mesmo Assis Chateaubriand, dono de um dos maiores conglomerados de imprensa no país fora preso em 1932, episódio que quase o levou a falência.

O momento era de instabilidade política, haviam os tenentistas que defendiam um governo forte e nacionalista que pudesse colocar em prática reformas político administrativas, como o voto secreto, educação obrigatória, moralidade das instituições e maior participação do exército na sociedade, (LUCA, MARTINS, 2006, p 55) o que não agrada os aliados civis que propunham a volta da normalidade política e eleições para uma assembleia constituinte, desgosto por parte das oligarquias que perderam o poder político, principalmente São Paulo, culminando na Revolução Constitucionalista de 1932.

A instabilidade política, a grave crise do café, provocada pela crise econômica de 1929, crise esta que põem em questionamento a solidez do sistema capitalista liberal, e assim como no resto do mundo, ganham força as ideologias políticas que se opunham ao liberalismo capitalista, porém, contrárias aos regimes ditos comunistas. Na Europa governos fascistas de extrema direita, nacionalistas, militarizados e com grande fé em um líder “herói” da nação, ascendiam ao poder. No Brasil nasce a Ação Integralista Brasileira (AIB) liderados por Plinio Salgado, com o lema Deus, Pátria e família, com as mesmas características fascistas europeias, publicam seus próprios jornais, A Ofensiva (19340 e o Monitor Integralista (1932) e as revistas Anauê e Panorama.

Assim como os governos fascistas ganham poder pelo mundo, os governos comunistas como a URSS também exercem sua influência com o liberalismo capitalista posto em cheque, e da mesma forma no Brasil, o movimento socialista ganhou sua força, o partido comunista mesmo ilegal mantinha o jornal A Classe Operária, com grande influência sobre as classes trabalhadoras também no exército, estas ideologias levam ao nascimento da Aliança Nacional Libertadora (ANL) liderados por Luiz Carlos Prestes, unindo socialistas comunistas e parte dos tenentes agora insatisfeitos com o governo.

Em 1932 o governo provisório já havia criado o Departamento Oficial de Propaganda (DOP), para controlar a imprensa e difundir as ações do governo, em 1934 sob responsabilidade do DOP, foi criado o Programa Nacional de Rádio, que posteriormente tornara-se A Hora do Brasil. Com o aumento das inquietações por parte da população e dos movimentos como a ANL, o DOP se tornaria no mesmo ano de 1934 (DPDC) Departamento de Propaganda e Difusão Cultural, nas mãos do Jornalista Lourival Fontes, grande admirador do Fascismo e do Integralismo, fortaleceu a opinião pública a favor do governo, e contrária ao comunismo. (LUCA, MARTINS, 2006)

  Com base na luta contra o comunismo no Brasil, fora promulgada a Lei de Segurança Nacional em 1935, a qual deu legitimidade para perseguição a grupos comunistas e o fechamento da ANL, que em represálias continuou e organizou a chamada Intentona Comunista.

Os eventos, se não chegaram a colocar em xeque a ordem estabelecida, deram materialidade às constantes advertências contra os comunistas. A repressão que se seguiu foi virulenta e esteve longe de se limitar aos comunistas. Antes, atingiu todo e qualquer opositor do regime. Vários líderes operários, políticos, parlamentares, jornalistas e intelectuais foram presos, enquanto outros eram obrigados a deixar o país. No que tange à imprensa, A Manhã foi fechada e outros jornais mudaram a linha editorial para sobreviver. (LUCA, MARTINS, 2006,p 60)     

 Por conta do cenário de medo instaurado, medo da ameaça comunista, o Congresso Nacional tornou mais dura a Lei de Segurança Nacional, em 1935 Aprovou emendas constitucionais que davam mais poderes ao Presidente da República e permitiam ao mesmo instaurar estado de sítio em caso de “comoção intestina grave”, em 1936 criou-se a Comissão nacional de Repressão Ao Comunismo, no mesmo ano se instaurou o Tribunal de Segurança Nacional, tudo isso para controlar, reprender e afastar todos que pudessem ser contrários ao regime. A maior parte da imprensa corroborou com estas ações do governo, ainda difundiu uma onda anticomunista no país, aplaudiam e reforçavam as ações do governo na luta para manter a ordem no Brasil.

Em 1938 seria o ano em que Getúlio Vargas deixaria o governo, mas mais uma vez aproveitando-se do ambiente instaurado, com a desculpa de um grande plano de tomada do poder (Plano Cohem), fechou o congresso, cancelou as eleições, outorgou a nova constituição e se estabelece no poder até 1945 com o Estado Novo.  

Se antes de se estabelecer o Estado Novo Já Havia controle sob à impressa, agora o governo não deixaria nada passar pelos censores, o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural passou a se chamar Departamento Nacional de Propaganda (DNP) com o comando do mesmo Lourival Fontes. Proibiu todas as transmissões de rádio e impressões de jornais e periódicos em língua estrangeira, estabeleceu tarifas alfandegárias para o papel utilizado pela impressa, em que os jornais que quisessem a aquisição teriam que passar pelo Ministro da Justiça. Em 1939 a substituição para o DIP Departamento de Imprensa e Propaganda que o governo passou a controlar tudo que era reproduzido e impresso no país, desde jornais, revistas, livros até filmes e peças de teatro.

Passou a ser obrigatório a imprensa prestar serviços à nação, notícias exaltando o governo e o grande líder Getúlio eram exibidas antes dos filmes, livros sobre Getúlio eram impressos e distribuídos pelo país, e o programa A Hora do Brasil que trazia artistas e notícias do governo, e aproximava o “grande líder” da população.       

Foi somente com o fim de regimes fascistas europeus que o governo de Vargas passou as se tornar inviável, o Brasil havia lutado ao lado dos aliados em território italiano em defesa da democracia, e em seu território não mantinha uma, jornais passaram a publicar notícias que não eram aprovadas pelo DIP, enfraquecido pela conjuntura internacional, o governo foi deposto finalizando o período em que a imprensa manteve-se censurada iniciando assim um breve momento de liberdades.

De 1945 até 1964 a imprensa brasileira passou por um momento de liberdade democrática, em meio ao surgimento da TV.

Foram décadas marcantes para a grande imprensa, que se profissionalizou, investiu em maquinário de ponta, construiu grandes cedes próprias, fez de seus capitães de indústria e de seus editores homens de extremo poder, tornando órgãos da mídia instrumentos decisivos de controle da vida nacional. (LUCA, MARTINS, 2006, p 76)      

Muito mais capitalizada e com força política e econômica por muito se posicionou a favor de campanhas de protecionismo da indústria nacional, contrarias ao dito entreguismo, favoráveis ao slogan “O Petróleo é Nosso” e com duras críticas ao governo de JK que abriu portas a indústria internacional, principalmente automobilística, entretanto não pode perceber a desnacionalização da imprensa brasileira. As duas décadas em meio as ditaduras brasileiras foram onde a imprensa brasileira recebe a maior influência estadunidense, no formato de suas matérias inclusive nos métodos de reportagem. Os primeiros cursos de jornalismo e São Paulo e Rio de Janeiro na década de 1940, é da experiência de jornalistas que fizeram estágio nos EUA, (LUCA, MARTINS, 2006)      

Influência esta que provinha das agências de publicidade, mais de 80% da renda da imprensa vinha da publicidade, e desta quase em sua totalidade de publicidade estrangeira. (SONDRÉ apud LUCA, MARTINS, 2006) “Assistia-se à censura interna dos próprios órgãos de comunicação, temerosos da perda das verbas publicitárias.” (LUCA, MARTINS, 2006, p 79)

O mundo estava mergulhado na guerra fria, os países que haviam saído vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos da América e URSS, disputavam hegemonia econômica e política, dividindo o mundo em dois polos, o comunista e capitalista. A imprensa brasileira ficou claramente ao lado capitalista estadunidense, muito por conta das questões supracitadas em relação a publicidade estrangeira. 

Este período é marcado pelo nascimento de dois grandes jornais que não compunham o que pode ser chamado de “Grande Imprensa”, termo dado aos jornais de principal circulação no país, Tribuna da imprensa de Carlos Lacerda, opositor ferrenho de Getúlio Vargas em seu governo democrático, e principal porta-voz da UDN União democrática Nacional, e a Última Hora, de Samuel Wainer defensor de Vargas, e financiado pelo Banco do Brasil por intermédio de Getúlio.

Estes dois jornais representaram muito do que foi a imprensa deste período, onde o jornalista punha de forma escancarada sua opinião no que publicava, e brigava de forma ferrenha com os opositores.

Nos primeiros anos da década de 1960, pairava-se uma instabilidade política, o presidente eleito, Jânio Quadros, renunciou ao cargo após sete meses de mandato, o vice presidente próximo da linha de sucessão ao cargo era João Goulart, popularmente conhecido como Jango, vice presidente eleito pela chapa que fazia oposição ao até então presidente Jânio Quadros, filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), foi Ministro do Trabalho no governo democrático de Vargas, era cotado como herdeiro do varguismo, e muito próximo das esquerdas.

Muitos se opunham a Jango assumir a presidência, no que diz respeito à imprensa “Jornais como O Estado de São Paulo, O Globo e, sobretudo, Tribuna da Imprensa, que ainda pertencia ao então governador presidente da Guanabara, o udenista Carlos Lacerda, faziam previsões alarmistas e posicionaram-se contra a posse de Jango.” (LUCA, MARTINS, 2006, p 93) “Os jornais de Assis Chateubriand, o Correio da Manhã, a Folha de S. Paulo, o Jornal do Brasil e a Última Hora, postaram-se ao lado dos que defendiam a legalidade.” (LUCA, MARTINS, 2006, p 94) Também defendiam a legalidade o governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, junto com ele várias emissoras de rádio do Sul do país, formando a rede da Legalidade.

Para conter os ânimos, Jango assumiu com uma condição, presidente em um regime parlamentarista, que dava mais poderes ao poder legislativo, regime que seria referendado por plebiscito em 1965. Jango recebe a faixa da presidência em meio a várias manifestações populares.

[...] O fraco desempenho econômico do país aumentava o desemprego, a inflação e o déficit externo. A mobilização dos trabalhadores rurais e urbanos atingiu proporções até então desconhecidas, envolvendo sindicatos, ligas camponesas, setores progressistas da Igreja Católica, estudantes, intelectuais, soldados e marinheiros. (LUCA, MARTINS, 2006, p 94)    

A grande parte da imprensa que se opunha ao governo de Jango, alardeava que tais manifestações populares eram subversões da ordem estabelecida, e em meio a Guerra Fria, a polarização e o medo do Comunismo fazia parte das publicações diárias dos jornais no Brasil. Os EUA intensificaram a ações para manter a hegemonia política na América após a vitória de Fidel Castro em Cuba, neste cenário foi adiantado o plebiscito que decidiria entre o presidencialismo e o parlamentarismo para 1963, e Jango assumindo como presidente em um regime presidencialista.

A imprensa se dividia nos que apoiavam e os que criticavam o governo, nos dias que se passaram após o plebiscito, que instaurou novamente o presidencialismo no Brasil, jornais como O Estado de S. Paulo, não escondiam o desgosto, assim como boa parte da imprensa nacional, um dos poucos favoráveis era o jornal de Samuel Wainer, Última hora.

Como já dito antes, a polarização da Guerra Fria pairava o cenário político brasileiro, muito se dizia sobre as tendências comunistas do governo de Jango, os rumores que João Goulart planejava um golpe de estado se alarmaram quando Goulart solicitou ao congresso nacional a decretação de estado de sítio, (Outubro de 63), nada melhorou após o famoso comício da Central do Brasil, que é sempre citado quando o assunto é falar do Golpe Cívico Militar de 1964, com um discurso exaltado e propondo as ditas reformas, Jango inquietou vários setores civis e militares, a imprensa em sua maioria fez duras críticas a Jango, a Folha de S. Paulo clamou pela tomada do poder pelos militares. (LUCA, MARTINS, 2006, p 99) o mesmo discurso resultou na marcha da família com deus pela liberdade, muito bem noticiada pela imprensa contrária ao governo e desprestigiada pelos poucos favoráveis, como o jornal a Última Hora, que dizia que trabalhadores foram liberados para participar da passeata, e enfatizava também a classe social dos participantes da marcha.

O apoio de Jango a marinheiros que se manifestavam em favor de melhores condições, passando assim por cima da hierarquia militar, agravou ainda mais sua situação, foi esta a gota que faltava, no dia 30 de março se punha em marcha o Major Olímpio Mourão Filho, para a tomada do poder.

Era tanta a clareza de que a imprensa de quase por um todo clamou o golpe cívico militar, (LUCA, MARTINS, 2006) ressaltam a posição do Correio da Manhã, que não eram claramente opositores, mas nas manchetes do dia primeiro e do segundo dia do mês de abril, colocavam as seguintes frases e cada dia, “Basta” e “Fora”.

Mesmo com o até então presidente da república João Goulart ainda dentro do território nacional, foi declarada vaga a presidência, assumido pelo presidente da câmara de deputados. Tal ato que fora aclamado pela mídia em sua maior parte como grande vitória da democracia contra os riscos do comunismo.

 14 de abril o chefe maior do exército o General Humberto de Alencar Castelo Branco assume o comando, com plenos poderes para cassar mandatos parlamentares, demitir funcionários, decretar estado de sítio, e promover reformas constitucionais, inicia-se assim uma era nebulosa para a imprensa brasileira, uma era que a mesma ajudou a promover.

Em um primeiro momento, apenas os jornais opositores foram alvos de censura e repressão, o Última hora e o Correio da Manhã que eram abertamente favoráveis ao governo deposto, foram os primeiros, junto aos órgãos clandestinos do partido comunista, Ligas camponesas, movimentos estudantis, inclusive parte da Igreja Católica mais progressista. (LUCA, MARTINS, 2006)  Dentro do governo, havia uma divisão clara por todo o período de ditadura, os a linha dura e os mais brandos, militares que haviam frequentado a Escola Superior de Guerra, no mundo civil poucos jornais começaram a denunciar os abusos de poder, e medidas que estavam resultando em desgaste político para o governo militar, principalmente a tentativa de diminuir a inflação a base do arrocho salarial. (LUCA, MARTINS, 2006)

Jornais como o Correio da Manhã e Tribuna da Imprensa, foram uns dos primeiros a fazer certa oposição as medidas enérgicas do governo principalmente contra tortura.

O governo de Castelo branco não cumpriu com o prometido de entregar o poder a um presidente eleito democraticamente, diferente disso, o bipartidarismo foi instaurado entre ARENA e MDB, foi “eleito” Arthur da Costa e Silva, representante e porta-voz da chamada linha dura do exército. Costa e Silva assumiria em 15 de março de 1997, em janeiro deste ano foi promulgada uma nova constituição, com ela a Lei de Segurança Nacional e a Lei de Imprensa, as duas limitando direitos constitucionais em nome da ordem.

Manifestações estudantis marcaram os dois primeiros anos do governo de costa e silva, com vários episódios de violência contra manifestações populares, a morte do estudante Édson Luíz Lima Souto em uma manifestação por melhores condições nas instalações e das refeições nas instituições de ensino, aumentou ainda mais a indignação popular contra o governo, os jornais publicavam notas de repúdio as ações truculentas dos policiais. Um dia após o velório do estudante, a Folha de S. Paulo pulicava, que os padres tiveram que andar na frente da população para evitar a violência policial. O golpe perdia força com a opinião pública, as pessoas lutavam contra polícia em apoio aos estudantes, no que foi chamado de “sexta-feira sangrenta” em 21 junho de 1968, no dia 26 desde mesmo mês a passeata dos cem mil, que mesmo de ordem pacifica não agradou de forma alguma o governo militar. (LUCA, MARTINS, 2006)

Um dia após a passeata, a Folha publica em sua primeira página, uma foto da passeata dos cem mil, e na segunda a de um soldado morto por um atentado, mostrando a grande divisão que pairava o país. (LUCA, MARTINS, 2006)

A última gota de liberdade, do pouco que havia nos primeiros anos de ditadura, fora o discurso de Márcio Moreira Alves, o congresso não deu a licença que permitia a punição do jovem deputado, que propunha boicotar as comemorações do Dia da Independência do Brasil em forma de protesto, precipitando a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5).

Mal o ato foi divulgado, os principais órgãos da imprensa escrita e radiotelevisiva foram imediatamente colocados sob censura. A sede do Correio da Manhã foi invadida por agentes policiais, que prenderam o redator-chefe. Parte da edição do Jornal da Tarde foi apreendida, enquanto o Estado de S. Paulo foi proibido de circular, em função de um editorial de Júlio de Mesquita Filho, que criticava duramente o general Costa e Silva.  (LUCA, MARTINS, 2006, p 107)

Fora de tantas formas censurada a imprensa brasileira, principalmente as que faziam parte da grande imprensa, eram perseguidos economicamente, presos, até na escolha dos editores o governo interferiu, os que aguentavam em pé criavam estratégias para deixar mais clara a censura, como substituir as matérias censuradas por coisas que fossem claramente percebidas como fora do lugar. Diminui de forma drástica a circulação de jornais no brasil durante o regime militar e mais uma vez a imprensa foi calada.

Entretanto foi no período de ditadura que grandes jornais cresceram e se modernizaram, O Globo foi um dos mais beneficiados, por mais que houvesse censura, o governo não criou nem um meio de comunicação estatal, mas financiou, parte da mídia que o apoiara, desde isenções fiscais até uma grande quantidade de publicidade. Não foi o caso de um grande número de jornais alternativos que foram criados no mesmo período, diferente dos grandes jornais, estes não visavam lucro, apenas a propagações contrárias ao regime, com tiragens com alcances diferentes, todos com viés ideológico de esquerda, foram brutalmente perseguidos, com redações invadidas destruídas, presos, torturados e até assassinados.

Após a morte do Presidente Costa e Silva em 1969, assume o governo Emílio Garrastazu Médici, que governou os intitulados anos de chumbo (1969-1974), de 1974 até 1985 fim da ditadura, governaram os presidentes em iniciaram o processo de abertura política, de forma “lenta, gradual e segura”, Ernesto Geisel e João Figueiredo, eram da ala mais branda do exército, e planejavam entregar o país novamente a um governo democrático.

Tomaram medidas que tardaram a democratização, exemplo o aumento do mandato presidencial de cinco para seis anos em 1977, entretanto foi no governo de Figueiredo, que a imprensa tornou a respirar um pouco dos ares de liberdade. Aos poucos a censura prévia fora deixando os jornais, em 1975 jornais como Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo, já se viam livres dos censores.

Dentro do governo ainda existia sua divisão, parte da linha dura não acreditava na distensão, a morte do jornalista Wladimir Herzog em outubro de 1975, foi um dos primeiros assassinatos cometidos pela ditadura noticiados em jornais, depois da censura, por conta da pouca explicação sobre a sua morte, a insinuação de suicídio. Os jornais oscilavam entre os que condenavam, os que noticiavam com cautela e os noticiavam o caso com total conivência.

O governo mantinha sua proposta de distensão, o que demonstra na demissão do representante da linha dura do exército, o comandante do II exército Ednardo D'ávila Mello.

Em 1979 assume o governo João Batista Figueiredo, com uma crescente inflação, os primeiros anos de seu governo foram marcados por greves, como a dos metalúrgicos e também da imprensa, esta última resultou na criação da Associação Nacional de Jornais a (ANJ). Neste mesmo momento do governo de Figueiredo, ganha força a campanha pela anistia de presos políticos, que foi efetivada em agosto de 1979. (LUCA, MARTINS, 2006, p 107) como já dito antes, grupos da linha dura não acreditavam na distensão, porém, o atentado fracassado do Rio Centro em 1981, onde dois militares tentariam explodir bombas em um evento musical, e uma delas explodiu no carro antes de ser posicionada, levando ao fim das possibilidades políticas da linha dura do exército.

Em 1985 acaba o regime militar no Brasil, o novo governante clamava o povo que fosse eleito de forma democrática pelo voto popular, em 1984 a campanha “diretas já!” começou tímida, mas ganhou força e apoio da mídia, principalmente da Folha de S. Paulo, na manhã que precedeu a votação que determinara que a eleição do próximo presidente seria por voto indireto, o Jornal da Tarde publicara uma pagina em preto, simbolizando luto. (LUCA, MARTINS, 2006, p 107), assume José Sarney, por conta de motivos de saúde que levou a morte de Tancredo Neves, o qual deveria ter assumido a primeiro governo civil após o regime militar. Respira aliviada a imprensa brasileira, pronta para exercer a sua função social de 4º poder, ou não.

Existem muitos outros capítulos que precedem a história da imprensa no Brasil, vale salientar, a grande participação da mesma na eleição e queda do Governo Collor. Após a ditadura, a imprensa brasileira toma cada vez mais força, e de extrema importância para vários momentos decisivos do país, não iremos adiante nesta história, pois acreditamos que os acontecimentos aqui registrados, já nos dão subsídios para o que propomos neste artigo.

Percebemos ao ler a obra Extra: Imprensa e Cidade de Tânia Regina de Luca e Ana Luiza Martins, que é possível entender e pesar boa parte da história brasileira a partir da história da imprensa, e que ela pode ser uma fonte de extrema importância para construção do conhecimento histórico, não acreditamos que ela seja isso por registrar os acontecimentos e fatos mais importantes que ocorrem em uma determinada sociedade, e sim pelo fato de que ela vive esta história, e que por viver esta história, está imersa nos discursos que permeiam o momento que vivem e o meio que transitam, e que ela mesma seja por diversas formas está cheia de intenções ao produzir ou encaminhar a informação, e por tantas vezes que esta informação foi restrita, é um dos indícios que demonstra o poder que a imprensa exerce em sociedade. É tentando entender todas as questões que envolvem a imprensa que propomos esta discussão.

No artigo intitulado Jornalistas, “senhores da memória” de Marialva Barbosa. (BARBOSA, 1995), publicado na Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, a autora propõem questionamentos acerca da produção de memória e de “verdades” na mídia brasileira, e que os discursos que compõem os noticiários, e até mesmo as notícias publicadas, são selecionados, de forma que construam uma “verdade” a uma memória do presente, que se tornará a fonte de “verdade” do futuro.

Do ponto de vista da seleção da informação podemos dizer que o jornalista constrói, transpondo para o lugar da anormalidade, o acontecimento. Essa construção é seletiva. Seleciona-se parte da realidade, partindo-se do pressuposto do que os leitores gostariam de saber e do que as instituições querem fazer saber. Ao selecionar o fato, transpondo-o do lugar da normalidade para o da anormalidade, transformando-o em acontecimento, e ao escolher a forma da narrativa, o jornalista está constituindo o próprio acontecimento e criando uma memória da atualidade. Uma memória que obedece a critérios subjetivos e engendra a questão do poder. Assim, ao selecionar o que deve ser notícia e o que vai ser esquecido, ao valorizar elementos em detrimento de outros, a mídia reconstrói o presente de maneira seletiva, construindo hoje a história desse presente e fixando para o futuro o que deve ser lembrando e o que precisa ser esquecido. (BARBOSA, 1995, p 4)

 

Em A Revista Do Brasil: Um Diagnóstico para a (N)ação Tânia Regina de Luca, também, de certa forma, apresenta como as publicação da Revista do Brasil, tendem a construir uma identidade nacional, e propor uma característica do que seria esta nação, ao longo da obra, a autora discorre sobre vários momentos da revista e seus editoriais, todos preocupados com a modernização da nação brasileira. (DE LUCA,1998). O que nos traz mais uma vez as discussões anteriormente apresentadas, o processo de produção da imprensa está sempre intencionalmente posto, ao longo do artigo percebemos vários momentos da história da imprensa em que ela tratou de temas a que a interessava, ou foi calada por outros interesses externos. Vale relembrar que a imprensa brasileira nasce ligada ao Estado, e ainda após a declaração de independência brasileira foi censurada por um Estado Imperial e Católico, e que aos poucos jovens intelectuais egressos das universidades de fora do país criam um jornalismo liberal, republicano e abolicionista, e mesmo após uma grande participação da imprensa na conquista da república, este estado republicano a perseguiu e comprou a opinião dos jornais. Depois do Golpe de 1930 temos o Presidente Getúlio Vargas que cria vários órgãos do Estado (DOP, DNP e DIP) para controlar e cercear o que era publicado nos jornais do país, além de criar e subsidiar programas de rádio como a Hora do Brasil, e publicações a seu favor. E que o próprio Getúlio tem dificuldades de governar em seu governo democrático, onde há liberdade para a imprensa critica-lo, exemplo de Carlos Lacerda do Tribuna da imprensa.

Também vimos uma imprensa “livre” dos desmandos do governo entre o governo de Vargas e a Ditadura Militar, porém, presa aos interesses estadunidenses por meio da propaganda que a financiava. Esta mesma imprensa que em sua maioria apoiou o Golpe de 1964 e posteriormente sofreu suas duras censuras e repressões.

Ou seja, por mais analfabeto que parte do país seja, por mais que não sejamos um país de leitores, a imprensa é entendida como um 4º poder, e nunca foi ou será isenta de opiniões ou interesses, ela é produzida por um indivíduo com interesses, que é comandado por outro também com interesses, e financiada por um terceiro que da mesma forma tem interesses, não há como negar a parcialidade da imprensa, entretanto, não é por este motivo que ela é inútil, esta mesma imprensa ajudou construir discursos abolicionistas, republicanos, ajudou a “desmascarar” violências causadas por governos autoritários, e ainda investiga e expõem os problemas sociais de violência corrupção e descaso dos órgãos públicos. É de extrema necessidade para uma democracia, que a imprensa possa livremente publicar e propor as pautas e temas que serão discutidos em uma sociedade.

Estudar a história da imprensa ou a História a partir da imprensa, é entender que ela, como tudo que está imerso em uma sociedade, tem interesses e não está livre de construir discursos de seu interesse ou de quem a financia, é também entender que a mesma está rodeada de convenções linguísticas, e que não é construtora de uma verdade, ou de uma memória que ficará para posteriori.

Para finalizar esta discussão retomo a citação que propomos no início do artigo. “Para unir, é preciso mobilizar. Para mobilizar. É preciso despertar a opinião. Para despertar opinião, é preciso imprensa. Ela tem então sua primeira fase autêntica, entre nós” (SODRÉ, 1999, p 45) a imprensa tem sua responsabilidade de gerar indagações, propor debates, inclusive opinião, e não deve negar que há interesses nestes intrínsecos, cabe ao historiador não julgar estes interesses, e sim entendê-los o que possibilitará uma melhor produção de sua pesquisa.

Referências Bibliográficas

BARBOSA, Marialva. História social da imprensa: Brasil, 1900–2000. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007.

BARBOSA, Marialva. Meios de Comunicação e História: elos visíveis e invisíveis. In: CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA. 2007. p. 1-18.

BARBOSA, Marialva. Senhores da memória. Intercom-Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, v. 18, n. 2, 1995.

CARLOS BARBOSA, MARIALVA. Cenários de transformação: Jornalismo e História no século XX. Revista FAMECOS: mídia, cultura e tecnologia, v. 19, n. 2, 2012.

DE LUCA, Tânia Regina. A revista do Brasil: um diagnóstico para a (N) ação. Unesp, 1998.

MARTINS, Ana Luiza, LUCA, Tânia Regina. Extra Imprensa e Cidade. Unesp, 2006.

SILVA, Carla Luciana. Estudando a imprensa para produzir história. III Simpósio Estadual Lutas Sociais na América Latina, 2006.

SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. Mauad, 1999.

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