Rússia fabricará mísseis de médio e curto alcances se EUA também o fizerem
MUNDO
06 de Dezembro de 2018

O presidente russo Vladimir Putin garantiu nesta quarta-feira que se os Estados Unidos desenvolverem mísseis de médio e curto alcances, a Rússia também irá fazê-lo, depois que Washington anunciou sua decisão de deixar o primeiro tratado de desarmamento nuclear da Guerra Fria, o INF, assinado em 1987.

"Agora se vê que nossos parceiros americanos consideram que a situação mudou tanto que os EUA também devem dispor dessas armas. Qual será a nossa resposta? Simples: nós também vamos fazê-las", disse Putin à imprensa local.

O presidente russo admitiu que "é verdade" que "muitos países, seguramente uma dezena, já desenvolvem essas armas, enquanto a Rússia e os EUA se limitam bilateralmente", mas garantiu que Washington vinha atribuindo recursos há algum tempo para desenvolver esse tipo de armamento e que agora simplesmente procura uma desculpa para sair do tratado.

"Ou seja, a decisão foi adotada há muito tempo, só que por baixo dos panos. Eles pensavam que nós não perceberíamos, mas no orçamento do Pentágono já figura o desenvolvimento dessas armas. No entanto, apenas depois disso eles anunciaram publicamente que sairiam (do tratado)", disse Putin.

O presidente russo acrescentou que "o próximo passo (dos EUA) é buscar alguém para colocar a culpa". "O mais fácil e habitual para os líderes do Ocidente é: 'a Rússia é culpada'. Isto não é assim. Nós somos contrários à ruptura do tratado, mas, se acontecer, reagiremos adequadamente", acrescentou.

Em relação ao ultimato dado pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, na terça-feira à Rússia para que deixe de violar o tratado de eliminação de mísseis de médio e curto alcances, o líder russo garantiu que "chegou um pouco tarde".

"No início, a parte americana anunciou suas intenções de sair do tratado e depois começou a buscar motivos para fazê-lo. O principal motivo é que nós o violamos. Ao mesmo tempo, como é habitual, não apresentam nenhuma prova de nossa violação", afirmou Putin.

Segundo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Rússia viola o tratado com o míssil de cruzeiro Novator 9M729 (SSC-8, de acordo com a classificação da Otan), que, segundo os políticos russos, tem um alcance de 498 quilômetros, dois a menos que o limite para que seja considerado uma violação.

Putin também lembrou que os EUA já fizeram o mesmo em 2002 quando deixaram o tratado de defesa antimísseis, que era uma das pedras fundamentais da segurança internacional.

"Mesmo assim, não tiveram nenhum problema em sair... O mesmo acontece agora, mas querem culpar alguém de seu, no meu ponto de vista, passo impensado", disse o presidente russo.

Putin, que não pôde tratar desse assunto no sábado durante a Cúpula do G20 em Buenos Aires com o presidente dos EUA, Donald Trump, que cancelou o encontro por causa do incidente naval envolvendo Rússia e Ucrânia no Mar Negro, advertiu que a saída dos americanos do INF provocará uma nova corrida armamentista no mundo.

Além disso, Putin ameaçou apontar o armamento estratégico russo para os países europeus que decidirem receber mísseis americanos, como acontecia nos tempos da Guerra Fria.

O líder russo afirma que a Casa Branca nunca apresentou provas de suas violações ao INF e que os EUA foram os primeiros a infringir o acordo ao posicionarem na Romênia elementos estratégicos do escudo antimísseis como o sistema de combate Aegis.

 

Fonte: Agência EFE

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